
2014 | Pop | Big Machine Records
Em 2014, “1989” inundava o pop com a personalidade que lhe faltava.
Em “1989” (2014) Taylor mostra ao mundo seu ponto de vista sobre a liberdade. Em entrevistas ao museu do Grammy, ela conta sobre como a derrota do predecessor “Red” (2012) na categoria de Álbum do Ano serviu de combustível para a criação do seu quinto álbum de estúdio. Há um senso muito forte de ambição que tomou conta de Swift nessa era, até mesmo seu olhar nos clipes que marcaram o apogeu do YouTube como principal canal de streaming, suas incontáveis entrevistas e performances durante o ciclo promocional do disco, que resultaram em incontáveis recordes e sucesso astronômico. Taylor montou “1989” com um propósito claro de alcançar o topo, em diferentes sensos.
O destaque desse álbum dentro do escopo de pop mainstream se deve perfeitamente à mentalidade por trás dele. Taylor ousou viajar do country ao pop, mas sempre foi inteligente, portanto, levou na bagagem o seu poder como compositora. Não apenas para as letras, mas também para a melodia. O pop aqui nasce originalmente num violão ou num piano. Sua estrutura cativante é bem articulada, ganchos e batidas nascem de sonhos e a inspiração vem da fonte mais rica para tal: os anos oitenta.
A direção da cantora monta as palavras quase como um roteiro para seu ex. Como desfazer a catástrofe, como me reconquistar, tudo que você deveria ter feito. Em nossas mentes, protagonizamos o nosso próprio filme, esperando viver a história de amor perfeita. Faixas como “How You Get The Girl”, “I Wish You Would” e “All You Had To Do Was Stay” apelam fortemente para esse sentido, na pulsante frustração de ter perdido um amor de cinema. Até mesmo a decisão de elencar “Shake It Off” e “Blank Space” como singles protagonistas do álbum serve um propósito – o de não se levar tão a sério e saber tirar sarro de si mesmo. Na etérea e lana-del-rey-ística “Wildest Dreams”, Swift implora: “Say you’ll remember me”, imersa em saudade. Não é exatamente um álbum sobre perfeições, mas sobre a caçada pelo aperfeiçoamento. Essa constante idealização cinematográfica deixa ainda mais fácil para que o ouvinte também se sinta nos holofotes de sua própria vida.
As músicas que melhor sintetizam a paisagem desse álbum são, justamente, as faixas que o abrem e o encerram. Enquanto “Welcome To New York” encapsula a mesma agitação de estar pousando de avião em uma cidade infinita, a letra afiada e hiper-irônica de “New Romantics” pinta uma dinâmica acelerada, imprudente e, sobretudo, almejada do romance em nossa geração. A adrenalina dessa invencibilidade jovem define a energia de todo o disco. Swift conquista uma nova aura de confiança e poder em seus refrões. Há uma explosividade constante que percorre as 16 faixas.
Em meio ao ritmo acelerado dos 20-e-tantos anos, a catarse também encontra lugar. “Clean” possui um dos melhores construtos imagéticos que a cantora já se apropriou. O coração partido e o processo da cura colocados como a sobriedade para um ex-viciado. “Now that I’m clean, I’m never gonna risk it”. Flores secas e um grito que ninguém mais ouve. A chuva que limpa e carrega todo o negativo pra fora.
A ousadia parece ser a regra orbitante ao redor desse disco. Desde a sua concepção no risco de abandonar completamente o country, até sua fome por um triunfo no Grammy. Desde suas lições sobre a complexa teia de gato-e-rato no amor, até os clipes mais ambiciosos de sua videografia. Da decisão mais influente de se mudar para a maior cidade do planeta, à mais estética de cortar o cabelo. A mudança é o ritmo, vence quem se destacar mais, o amor é um jogo, a indiferença é o padrão. A batida da música é o disparo de uma corrida. Taylor comprou essa grande aposta, sabendo desde o começo que mesmo as luzes mais brilhantes não são capazes de cegar quem sonha alto.